Artigo de opinião do Embaixador Dr. Christof Weil publicado no DN-Diário de Notícias, a 13 de fevereiro de 2017

A 16 e 17 de fevereiro, a convite do Ministro Federal das Relações Externas da Alemanha, Sigmar Gabriel, reúnem-se em Bona os ministros das relações externas do G20 e de outros países convidados, bem como representantes de diversas organizações internacionais. Os 19 principais países industrializados e emergentes, juntamente com a UE, representam cerca de dois terços da população mundial, mais de 80 % do PIB e 75 % do comércio global. A 1 de dezembro de 2016, a China passou a presidência do G20 à Alemanha, que dará continuidade aos temas centrais do G20 em relação a um crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo da economia. Além da estabilização da economia mundial e dos mercados financeiros, existem numerosos desafios globais para o G20: os conflitos geopolíticos, o terrorismo, os fluxos migratórios e de refugiados, a fome, as progressivas alterações climáticas e as pandemias. Não será com certeza através de abordagens nacionais, o isolamento e o protecionismo que estes desafios serão resolvidos. Não é possível regressarmos a um mundo pré-globalização.

Durante a sua presidência, a Alemanha quer contribuir para que a globalização funcione em benefício de todos, criando um contrapeso ao isolamento e ao regresso a abordagens nacionais. Nesse âmbito, apresentamos três prioridades: "Garantir a estabilidade", "Melhorar a sustentabilidade " e "Assumir responsabilidade".

"Estabilidade"

A Alemanha empenhar-se-á no G20 em prol de condições estáveis para o crescimento da economia mundial e de um sistema financeiro internacional robusto. Pretende-se igualmente melhorar a cooperação internacional, tanto em questões financeiras e tributárias, como em relação ao emprego, comércio e investimento. Nesse contexto, a presidência alemã do G20 pretende regular o sistema bancário paralelo, combater a evasão fiscal e facilitar o comércio internacional e o investimento. O objetivo declarado é o de fortalecer o comércio justo e livre na economia mundial. Nesse âmbito, o governo federal também procura incentivar a sustentabilidade das cadeias globais de abastecimento.

"Sustentabilidade"

Ao implementar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris sobre o Clima, a Alemanha quer contribuir, juntamento com o G20, para a sustentabilidade da economia mundial. Outros temas que a Alemanha quer impulsionar nesse âmbito dizem respeito à digitalização da economia mundial, à luta contra a resistência a antibióticos, à prevenção de pandemias e à promoção da participação de mulheres na vida económica. A Chanceler Federal alemã Angela Merkel quer, nomeadamente, facilitar o acesso de mulheres às tecnologias da informação e comunicação em países em vias de desenvolvimento.

"Responsabilidade"

A presidência alemã do G20 visa igualmente colocar o desenvolvimento da economia africana no centro das atenções. É essencial que as condições de vida das pessoas em África melhorem de forma duradoura. Na iniciativa "Parceria com África" procura-se criar condições estáveis para o investimento e desenvolver as infra-estruturas no continente africano. Para esse fim, realiza-se uma conferência em junho, na cidade de Berlim. Quanto ao tema central da "Responsabilidade", pretende-se igualmente debater questões como a fuga e a migração, o combate ao terrorismo, bem como o branqueamento de capitais e a corrupção.

Com esse propósito, além do encontro dos ministros das relações externas durante a primeira metade do ano, haverá igualmente ocasião para consultações entre os ministros das finanças, do trabalho, da saúde, da agricultura e da política digital. O momento culminante da nossa presidência será a Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo dos principais países industrializados e emergentes, a 7 e 8 de julho de 2017, em Hamburgo. Trata-se da 12.ª cimeira deste género desde a criação do G20, que contará com Espanha, Singapura, Países-Baixos e Noruega como países convidados. A Chanceler Federal Angela Merkel convidou igualmente membros de organizações internacionais e regionais. Além disso, pretende-se que haja um amplo diálogo com a sociedade civil, com representantes de organizações não governamentais da área económica e sindical, com cientistas, bem como com mulheres e jovens. As ideias lançadas pela sociedade civil são um contributo importante para os debates do G20.

A cooperação entre os países do G20 é um objetivo central do governo alemão. A nossa tarefa consiste em trabalharmos em conjunto para moldarmos um mundo interconectado. Com esse intuito, a Alemanha vai envidar todos os esforços no ano da sua presidência.

Dr. Christof Weil

Embaixador da Alemanha