Transição energética internacional

A eficiência energética, as energias renováveis e o abandono da energia nuclear - são estes os principais pilares da política energética alemã. Através da chamada transição energética, a Alemanha quer tornar o seu fornecimento de energia mais sustentável, respeitador do clima e fiável.

Solaranlage Ampliar imagem (© picture alliance / dpa ) Projeto pioneiro: transição energética

Está previsto que até 2022 todas as centrais nucleares alemãs estejam desativadas. Até 2050, tendo o ano de 2008 como referência, o consumo de energia na Alemanha deverá passar para metade e 80 % da produção de energia deverá ter origem em fontes renováveis, como o sol, o vento e a água. A Alemanha contribui, assim, decisivamente para a proteção do clima e dos recursos, enquanto aumenta a segurança no fornecimento de energia, ao tornar-se menos dependente da importação de combustíveis fósseis. Graças à sua experiência na transição energética, a Alemanha é um interlocutor privilegiado no âmbito da política energética internacional. Na implementação da sua política energética, outros países podem beneficiar com o sucesso e as estratégias da Alemanha, bem como com os ajustamentos que efetuou.

O Ministério Federal das Relações Externas e as representações diplomáticas alemãs no mundo apoiam esta troca de experiências e o diálogo sobre a política energética internacional. Em nome do Governo Federal, promovem no plano internacional uma política energética mais sustentável, nomeadamente, no âmbito da União Europeia ou das Nações Unidas.  

Regenerative Energien in Deutschland Ampliar imagem (© dpa picture-alliance) Cooperação a nível europeu

A transição energética apenas pode ter sucesso se for alicerçada no contexto europeu - só assim é possível juntar a proteção do clima, a segurança no fornecimento e a competitividade. Neste contexto, destacam-se, nomeadamente, os Objetivos da UE para 2030 em matéria de clima e energia, que preveem, entre outros, a redução de gases de efeito de estufa e o aumento da eficiência energética. Outro projeto relaciona-se com a reforma do comércio de emissões e, de acordo com uma estratégia-quadro apresentada em 2015, a UE deverá crescer no sentido de uma União da Energia.  


Para mais informações:

Informações sobre a transição energética (PDF, 3 MB, em inglês)

Who is who da transição energética na Alemanha (PDF, 7 MB, em inglês)

Transição energética

Alternative Enregieformen - Übersicht

Um “Energy Show” para o mundo inteiro

Expo 2017

Com uma encenação espetacular na Expo 2017 em Astana, a Alemanha pretende entusiasmar as pessoas para a transição energética.

1. Quais foram os principais motivos que fizeram o Governo Federal abandonar totalmente a energia nuclear até 2022?

O motivo principal para a saída acelerada da energia nuclear foi o fato de não ser possível excluir um risco residual da energia nuclear. O exemplo de Fukushima num país de alta tecnologia demonstrou que é possível haver erros na avaliação do risco. O fato de as usinas nucleares alemãs serem consideradas relativamente seguras segundo os padrões internacionais não muda em nada essa avaliação de fundo.

2. A Alemanha está preparada para abandonar totalmente a energia nuclear dentro de um prazo de somente 10 anos?

O abandono da energia nuclear já é consenso no Governo Federal há muito tempo e inclusive foi incorporado na sua estratégia energética de 2010. A diferença é que agora o caminho até lá será mais curto. Vários estudos comprovam de maneira uníssona que uma reestruturação do setor de energia renunciando à energia nuclear é viável e pode oferecer grandes possibilidades e vantagens econômicas a longo prazo. A parcela restante da energia elétrica que seria gerada pela tecnologia nuclear deverá ser compensada a médio prazo por novas e eficientes usinas movidas a combustíveis fósseis, a expansão e a integração progressiva das energias renováveis no mercado, bem como uma intensificação da eficiência energética.

3. Depois de Chernobyl, a Alemanha congelou seus planos de expansão de energia nuclear enquanto alguns países vizinhos fizeram exatamente o contrário. Existe uma tendência comparável na Alemanha depois de Fukushima? Não é uma decisão precipitada e em

Com a elaboração da estratégia energética no ano passado, a Alemanha tomou uma decisão de fundo de suprir o abastecimento de energia no futuro com energias renováveis e abandonar a energia nuclear dentro de um prazo determinado. Isso é um consenso na sociedade. A saída acelerada da energia nuclear, recentemente decidida, exige que também aceleremos consideravelmente a reestruturação do abastecimento de energia necessário para essa transição. Isso implica grandes desafios, mas também novas possibilidades.

Os motivos que nos levaram a traçar este novo caminho são racionais e de cunho ecológico, econômico, e também ético. A reestruturação fundamental do abastecimento de energia oferecerá maiores possibilidades para as próximas gerações. Não será fácil colocar em prática essa reestruturação. Mas se aceitarmos o desafio, tal reestruturação também abrirá novas perspectivas tecnológicas e econômicas para a competitividade da Alemanha enquanto local de produção e país exportador (p. ex. produtos de alta eficiência energética, energias renováveis, usinas altamente eficientes).

4. O comissário europeu de Energia, Günther Oettinger, disse que o abandono da energia nuclear da Alemanha só pode funcionar se houver avanços consideráveis na infraestrutura energética. Quais serão os efeitos da decisão tomada na Alemanha nos países

A expansão da infraestrutura energética (redes, usinas, dispositivos de armazenamento de energia) é uma condição fundamental para a reestruturação do abastecimento de energia almejado. Por tal motivo, a estratégia energética do Governo prevê uma série de medidas para acelerar as reformas de infraestrutura necessárias. Além disso, o pacote energético recentemente aprovado (no Bundestag em 30/6; no Bundesrat em 8/7) também contém medidas importantes para a expansão acelerada das estruturas, sobretudo das redes. A Alemanha pode ter e terá também futuramente a pretensão de manter as capacidades necessárias para suprir sua demanda de energia elétrica por conta própria. Independentemente disso, a Alemanha está
localizada no centro do mercado interno da UE, no qual o comércio transfronteiriço de energia elétrica, com seus respectivos fluxos de carga, faz parte do cotidiano.

5. A Alemanha também tentará fazer outros países abandonarem a energia nuclear?

Cada país tem o direito de decidir livremente como quer organizar seu abastecimento de energia. No futuro, o papel da Alemanha consistirá em apresentar alternativas ao uso da energia nuclear através da virada energética no país, incentivando desta maneira os outros a seguirem o mesmo caminho. A Alemanha tem interesse em assegurar os mais altos padrões de segurança possíveis da tecnologia nuclear a nível internacional e visa a colaborar com parceiros internacionais nessa área.

6. Qual é o roteiro da saída da energia nuclear?

Na Alemanha, abandonaremos o uso da energia nuclear gradativamente até o final de 2022,
no máximo. As sete usinas mais antigas, desativadas durante a moratória nuclear, e a usina
nuclear Krümmel continuarão totalmente desconectadas da rede. Os prazos máximos para as
outras usinas nucleares são: 2015 Grafenrheinfeld, 2017 Gundremmingen B, 2019
Philippsburg 2, 2021 Grohnde, Gundremmingen C e Brokdorf e 2022 para as três instalações
mais recentes Isar 2, Emsland e Neckarwestheim 2.

7. O que significa a decisão de abandonar a energia nuclear para a estratégia energética da Alemanha?

A estratégia energética da Alemanha continuará sendo a principal referência da política energética do futuro. Os objetivos e os caminhos apontados pela estratégia energética serão mantidos. As medidas – sobretudo em relação à expansão das redes, ao desenvolvimento da energia eólica e à renovação dos parques de usinas – serão colocadas na prática num ritmo acelerado.

8. Como a Alemanha substituirá a quota restante de 23% da energia elétrica?

A Alemanha está em plenas condições de compensar a falta de produção das usinas nucleares desativadas no momento com reservas disponíveis e importação em pequena escala. Na última primavera, por exemplo, de 17 usinas nucleares, 12 tiveram que ser desligadas por pouco tempo devido à moratória nuclear e aos controles planejados; isso pôde ser compensado com as reservas disponíveis, com energia elétrica importada e a infraestrutura de rede elétrica disponível. É óbvio que não se pode fazer generalizações acerca do tema. A situação nos próximos dois invernos será mais crítica do que aquela da primavera. Mas também acreditamos que o setor de energia alemão estará à altura para enfrentar essa tarefa exigente. As utras capacidades de geração de energia elétrica das usinas nucleares alemãs que serão desconectadas pouco a pouco da rede no período até 2022, e que até agora produziam 23% da energia elétrica na Alemanha, no futuro deverão ser compensadas pela expansão contínua das energias renováveis, a construção de usinas movidas a combustíveis fósseis, conforme já
planejadas, e a construção de novas usinas com essa tecnologia, a eficiência energética e também o uso dos potenciais da ligação da rede elétrica internacional.

9. As energias renováveis são realmente uma alternativa suficiente?

São. Foi demonstrado em diversos e extensos estudos (entre outros, os cenários energéticos para uma estratégia energética do Governo Federal, o estudo-piloto conduzido pelo Ministério Federal do Meio Ambiente) que as energias renováveis podem assumir a quota principal da matriz energética do futuro. Porém, tendo em vista o crescimento considerável de geração inconstante de energia eólica e solar, afim de assegurar o abastecimento de energia ainda será necessário construir outras usinas convencionais até encontrarmos as soluções economicamente viáveis para o armazenamento a longo prazo de energia elétrica. Mas também a importação, por exemplo, de energia solar oriunda de países do norte da África, poderá abrir perspectivas de longo prazo e contribuir assim para o futuro abastecimento de energia da Europa. Mas é importante que o consumo de energia elétrica total diminua. Para alcançar tal objetivo, ainda precisamos desenvolver mais a eficiência energética.

10. O abandono acelerado da energia nuclear tem consequências para os objetivos de proteção climática da Alemanha?

Em princípio, a saída da energia nuclear é neutra em termos climáticos. É verdade que o abandono da energia nuclear provocará um aumento das emissões de CO2 no setor de energia elétrica da Alemanha. Porém, esse aumento será compensado integralmente através do comércio de emissões com outros setores da Alemanha e da Europa. Desta maneira, as emissões de gases do efeito estufa na Europa serão mantidos num nível constante, mesmo a curto prazo, porque o comércio de emissões prevê um teto para emissões de gases do efeito estufa para toda a Europa. Portanto, os objetivos climáticos da Alemanha continuam tendo validade.

11. Qual é o custo relacionado ao abandono acelerado da energia nuclear?

A saída da energia nuclear não será viável a custo zero. Devido à falta da energia elétrica gerada pelas usinas nucleares prevemos um aumento dos preços de energia elétrica a curto e médio prazos. Segundo estimativas de estudos recentes, haverá um aumento do preço da energia elétrica diretamente relacionado à saída acelerada da energia nuclear, na faixa de um cêntimo por quilowatt-hora. Nesse contexto, o Governo Federal pretende tornar o caminho para a era de energias renováveis possível, economicamente viável e sustentável em termos econômicos.

12. O que o Governo Federal está fazendo para reduzir os encargos para as indústrias de alto consumo energético?

Os trabalhadores das indústrias de alto consumo energético, que totalizam cerca de um milhão de pessoas, contribuem de maneira fundamental para a geração de riqueza no nosso país. Queremos que a Alemanha também continue sendo um local de produção importante no futuro com preços de energia competitivos. Dado que a indústria de alto consumo energético será confrontada com aumentos de preço da energia elétrica a partir de 2013 devido ao comércio de emissões, o Governo Federal pretende compensar tais custos com recursos do Fundo de Energia e do Clima e empenhar-se junto à Comissão Europeia para ser autorizado a conceder essa ajuda estatal. Além disso, a emenda da Lei de Energias Renováveis (EEG) prevê, em relação aos custos adicionais, uma expansão dos ajustamentos especiais de compensação para reduzir os encargos de empresas que consomem muita energia.